domingo, 17 de agosto de 2014

A máquina de Anticítera

Em 1901, vários mergulhadores encontraram e resgataram à uma profundidade de 43 metros na costa da ilha grega de Aticítera, entre a ilha de Citera e Creta, várias estátuas e objetos arqueológicos e juntamente resgatados estava um estranho objeto, um artefato datado de 87 a.C., o arqueólogo Spyridon Stais observou que uma das peças do artefato possuía engrenagens.



Em 1958 o mecanismo foi analisado por Derek J. de Solla Price, que deduziu que o artefato era um aparelho capaz de indicar eventos astronômicos. Percebeu que algumas inscrições se tratavam de signos do zodíaco e que a roda maior representava so movimentos do Sol. Em junho de 1959, o professor Price publicou um artigo sobre o mecanismo na Scientific American enquanto o mecanismo estava apenas sendo inspecionado.

Em 1971, o professor Price submeteu o artefato com o auxílio de raios gama, para análise, o que confirmou suas suspeitas de que se tratava de um complexo mecanismo astronômico. Declarou suas descombertas mais tarde em uma publicação em 1974 onde escreveu "Não existe nenhum instrumento como este em lugar nenhum... De tudo que sabemos sobre a ciência e tecnologia na era helenística. deveríamos ter chegado à conclusão de que um instrumento assim não poderia existir."



A partir de setembro de 2005, a fabricante estadunidense de computadores Hewlett-Packard contribuiu para a pesquisa disponibilizando um sistema de reprodução de imagens, tomógrafo digital, que facilitou a leitura de textos, que haviam se tornado ininteligíveis devido à passagem do tempo.

Essas pesquisas permitiram uma visão melhor do funcionamento do mecanismo. Quando o usuário girava o botão, as engrenagens de pelo menos 30 rodas denteadas ativavam três mostradores nos dois lados do aparelho. Isso permitia que o usuário previsse ciclos astronômicos - incluindo eclipses - em relação ao ciclo de quatro anos dos Jogos Olímpicos e outros jogos pan-helênicos. Esses jogos eram comumente usados como base para a cronologia.

 A revista Nature referiu-o assim: "O antigo mecanismo de Anticítera não apenas desafia nossas suposições sobre o progresso da tecnologia ao longo das eras - ele nos dá novos esclarecimentos sobre a própria História."



O aparente mistério que rodeou durante anos a máquina de Anticítera, uma das mais famosas “oopart” (artefato fora de lugar), da história foi resolvido. O que provou ser uma criação totalmente humana para os gregos do século II a.C. Os cientistas Mike Edmunds e Tony Freeth, da Universidade de Cardiff, disseram que consideram ter desvendado finalmente o funcionamento do Mecanismo Anticítera, uma calculadora astronômica semelhante a um relógio.
Os restos de uma caixa quebrada de madeira e bronze contendo mais de 30 engrenagens foi encontrada há quase 100 anos por mergulhadores que exploravam um naufrágio perto da ilha de Antikitera. Os cientistas vêm tentando reconstruir desde então. A nova pesquisa sugere que é muito mais sofisticada do que se pensava anteriormente.
O trabalho detalhado realizado sobre as engrenagens mostra que o mecanismo era capaz de rastrear os movimentos astronômicos com uma precisão notável. A calculadora foi capaz de reproduzir os movimentos da Lua e do Sol através do zodíaco, prever eclipses e até recriar a órbita irregular da lua. A equipe estima que também pode ter previsto as posições de alguns planetas ou incluso de todos os conhecidos na época.
Os resultados sugerem que a tecnologia grega era muito mais avançado do que o estimado anteriormente. Não existe conhecimento de qualquer outra civilização que tenha criado algo tão complicado durante os seguintes mil anos.
O professor Edmunds salienta o fascínio que a máquina teve sobre os cientistas modernos. “Este dispositivo é simplesmente extraordinário. É algo único. O design é bonito, seus cálculos astronômicos são exatamente corretos. A forma em que foi desenhada a mecânica nos deixa atônitos. “Quem fez isso, fez muito bem.”
A equipe inclui pesquisadores da Universidade de Cardiff, do Museu Arqueológico Nacional de Atenas e as Universidades de Atenas e Tessalónica.
O mecanismo consiste em cerca de umas 80 peças e esta guardado em condições controladas com grande cuidado em Atenas, e não pode ser tocado. Recriar o seu desempenho foi um processo difícil, e envolveu astrônomos, matemáticos, especialistas em computação, analistas de escrituras e especialistas em conservação.
Os pesquisadores esperam agora criar um modelo por computador o funcionamento da máquina, e eventualmente com o tempo, desenvolver uma réplica funcional. Ainda não está claro para que usavam os antigos gregos o mecanismo, ou de quanto estava difundida essa tecnologia.
“Surge a pergunta inevitável, o que mas estariam fazendo nessa época. Quanto ao seu valor histórico e seu caracter único, tenho que considerar este mecanismo como sendo mais valioso do que Mona Lisa “, diz Edmunds.

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