terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

É possível viajar no tempo?


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Zumbis


Zumbi – Ser muito popular no Brasil, herdado dos africanos:
Entre os angolenses, gente que morreu, alma do outro mundo.
Na tradição oral de muitas nações africanas, fantasma, Diabo, que anda de noite pelas ruas; e quando os negros vêem uma pessoa astuciosa que se mete em empresas arriscadas, dizem: “Zumbí anda com ele”, isto é, o Diabo anda metido no corpo dele.
No Rio de Janeiro intimidavam-se muitas pessoas com o Zumbi de Meia-Noite, espectro que vagava alta noite pelas ruas.
Câmara Cascudo ainda, muito elegantemente, nos brinda com um estudo epistemológico através das palavras do Sr. Dr. Macedo Soares em seu artigo “Sobre algumas palavras africanas introduzidas no português que se fala no Brasil” (Revista Brasileira, IV. 1880, página 269) em que Zumbi é voz com que as amas negras amedrontam às crianças choronas: olha o Zumbi! Outros dizem: Olha o Bicho! e acrescenta: Serão sinônimos? Será o Papão português? Parece.
Acresçamos a essa interpretação de nacionalidade Afro-Latino-Americana algumas definições retiradas do verbete Zumbi, dessa vez no Dicionário do Folclore Brasileiro, ainda de Câmara Cascudo:
Zumbi. Vem do quimbundo nzumbi, espectro, duende, fantasma. Confunde-se com o seu homófono Zumbi, provindo de nzámbi, divindade, potestade divina e, por translação, aos chefes sociais,m’ganga Zumbi, dizem os negros cabindas, referindo-se a Deus. Zumbi foi o título de chefe dos rebelados pretos que se refugiaram no quilombo dos Palmares, na serra da Barriga, em Alagoas, a “Tróia Negra” de Nina Rodrigues.” (…)
“Há vagamente uma tradição de um Zumbi retraído, misterioso, taciturno, saindo apenas à noite, referido por Nina Rodrigues. Nesta acepção é a nota de Pereira da Costa comentando a frase estar feito zumbi, com insônia, velando, vagando durante a noite.”
E ainda:
“O Zumbi no Haiti (Zombie) é um cadáver animado por força mágica e obrigado a trabalhar para o encantador. Insensíveis, alimentados parcamente, terão a penitência finda se provarem o sal.”
Temos disso que, independente dos mortos vagarem por todas – absolutamente todas – as cidades do mundo, no Brasil há uma identificação folclórica herdada provavelmente de raízes africanas.
O que nos conduz a uma intensificação ainda mais delicada do neo-mito, e finalmente, pisando em ovos, escorregando em sangue coagulado, e sussurrando nervosamente para não despertar os mortos inquietos, somos levados a discutir uma camada mais profunda desse consumo ilustrado por Romero: a escravidão. Seu uso moderno foi evocado da exploração racial, o domínio étnico. Dominação em massa pela violência. Destruição sumária de toda uma multiplicidade de cosmogonias e universos teológicos. O holocausto da fé começou quando os primeiros povos africanos, indígenas, aborígenes foram colonizados pela primeira vez; e segue até hoje porque, ainda, mais fé continua nascendo.
Outro estudioso-guia pode nos oferecer auxílio e companhia nessa indigesta e antropofágica interpretação neomitosófica: Wade Davis. Mas para tanto, seria necessário retomar a história do local que pode ser considerado, definitivamente, a Meca dos Morto-Vivos: o Haiti.
Os índios arauaquestaínos e os caraíbas foram os primeiros seres-humanos a pisar nessa ilha, denominada então como Quisqueya, na ocasião em que nela chegaram, há mais de 7000 anos. Mais tarde, em 5 de dezembro de 1492Cristóvão Colombo chegou a uma grande ilha, à qual deu o nome de Hispaniola. Pouco depois passou a ser chamada de São Domingos pelos franceses. Dividida entre dois países, a República Dominicana e o Haiti, é a segunda maior ilha das Grandes Antilhas. Após a visita de Cristóvão Colombo, em 1492, o processo colonizador se iniciou. No fim do século XVI, quase toda a população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos conquistadores.
Após uma revolta de escravos da qual nenhum branco escapou vivo, em 1794, o Haiti tornou-se o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Nesse mesmo ano, a França passou a dominar toda a ilha. Em 1801, o ex-escravo Toussaint Louverture tornou-se governador-geral, mas, logo depois, foi deposto e morto pelos franceses. O líder Jean Jacques Dessalines organizou o exército e derrotou os franceses em 1803. No ano seguinte, foi declarada a independência, promovendo o Haiti ao posto de segundo país a se tornar independente nas Américas. Como forma de retaliação, em 1804, os escravistas europeus e estadunidenses mantiveram o Haiti sob bloqueio comercial por 60 anos.
Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder. Desses, 16 foram depostos ou assassinados. Tropas dos Estados Unidos da América ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país. Em 1946, foi eleito um presidente negro, Dusmarsais Estimé para então, após a derrubada de mais duas administrações governamentais, o médico François Duvalier ser eleito presidente em 1957. François Duvalier ficou conhecido como Papa Doc, apoiado pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, instaurou uma feroz ditadura, baseada no terror policial dos tontons macoutes(bichos-papões) – sua guarda pessoal – e na exploração do vodu. Presidente vitalício, a partir de 1964, Duvalier exterminou a oposição e perseguiu a Igreja Católica. Papa Doc morreu em 1971 e foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc. Entretanto a ditadura do bebê Doc, como qualquer ditadura, não pode sustentar-se indefinidamente. A opressão e a violência cada vez mais despertavam revolta e indignação no povo haitiano. Em 1986, Baby Doc decretou estado de sítio. Os protestos populares se intensificaram e ele fugiu com a família para a França, deixando em seu lugar o General Henri Namphy. Eleições foram convocadas e Leslie Manigat foi eleito, em pleito caracterizado por grande abstenção.
E foi nesse contexto histórico que Wade Davis, um etnobotânico canadense, desembarcou em Porto Príncipe, em 1982 a pedido do Dr. Nathan S. Kline, que havia elaborado a teoria de que uma droga podia ser responsável pelas experiências supostamente comprovadas de zumbis. Uma vez que tal droga poderia ser usada medicinalmente no campo da anestesiologia, Kline esperava reunir amostras, analisá-las e determinar se e como funcionavam. Davis observou que os haitianos que acreditavam em zumbis também acreditavam que eles eram criados pela feitiçaria de um sacerdote (e não por um veneno ou uma droga).  Segundo a sabedoria local, o sacerdote pega o ti bon ange da vítima, ou seja, a sua alma, para transformá-la em zumbi; mas durante sua pesquisa, Davis descobriu que o sacerdote usava pós elaborados, feitos de plantas secas e partes de animais em seus rituais. Davis reuniu oito amostras desse pó em quatro regiões do Haiti e, como resultado de suas investigações, afirmou que uma pessoa viva pode ser transformada em um zumbi injetando-se duas substâncias específicas na sua corrente sanguínea (geralmente através de uma ferida): A primeira, chamada pelos nativos de “coup de poudre” (do francês: tiro de pó), inclui a tetrodotoxina (TTX), uma poderosa neurotoxina e freqüentemente fatal encontrada na carne do baiacu (ordem Tetraodontidae). A segunda consiste numa poção com drogas dissociativas tais como a datura. Acredita-se que estas substâncias associadas induzem um estado de morte no qual ficam inteiramente sujeitas às vontades do bokor (o sacerdote vodu responsável pelo preparo e uso da poção). Davis também popularizou a história de Clairvius Narcisse, que alegou ter sucumbido a essa prática e “vivido” como um morto-vivo por muitos anos.
De acordo com a teoria de Davis, o pó, quando aplicado, primeiramente irritava e rachava a pele da vítima, para então a tetrodotoxina adentrar a corrente sangüínea, paralisando a vítima e causando sua morte aparente. A família enterraria a vítima e o sacerdote retiraria o corpo do túmulo. As investigações de Davis ainda apontam para o quão comum era que uma pessoa envenenada pelo pó recuperasse a consciência no caixão ou logo depois de ter sido retirada de lá. O trauma e a violência psicológica contidos nesse processo de vivência da morte, quando somado ao padrão cultural vigente que reconhece a autoridade dos bokor e a condição maldita dos zumbis, acaba provando à vítima e seus familiares que, de fato, aquele que fosse enterrado e por ventura avistado mais tarde vagando ou trabalhando em lavouras havia se tornado um zumbi, e isso era o bastante para que fosse proscrito da sociedade.
O processo descrito em seus livros (The Serpent and the Rainbow,1985 e Passage of Darkness: The Ethnobiology of the Haitian Zombie, 1988)acontece a partir de um estado inicial de morte, com animação suspensa, seguido pelo re-despertar, normalmente depois de ser enterrado, em um estado psicótico. Davis sugeriu que a psicose induzida por drogas e pelo trauma psicológico de ter sido enterrado, reforçavam as crenças culturalmente aprendidas e levavam os indivíduos a reconstruir sua identidade como a de um zumbi, uma vez que, após a experiência a que eram submetidos, eles passavam a “acreditar” que estavam mortos e não teriam mais outro papel para desempenhar na sociedade haitiana. Segundo Davis, os mecanismos sociais de reforço desta crença serviam para confirmar para o indivíduo a sua condição de zumbi e tais indivíduos passavam a ser conhecidos por passear em cemitérios, exibindo atitudes e emoções deprimidas.
Dessa forma, o composto narcótico, aliado a uma estrutura cultural e religiosa, garantia a esses feiticeiros-exploradores acesso a manufatura de escravos que jamais se insurgiriam, e esses, completamente desumanizados, viam-se submissos ao poder de seus senhores e submetidos a efeitos que suprimem sua própria força de vontade, autonomia, memória e identidade.
A teoria de Davis é que a cultura e a crença fazem com que alguns haitianos acreditem ser zumbis após se recuperarem dos efeitos do pó. Alguns sacerdotes dizem que a alimentação de um zumbi inclui uma pasta de Datura stramonium, conhecida localmente como “pepino de zumbi”. Chamada de “erva jimson” nos EUA e de “figueira do diabo” no Brasil, essa planta provoca febre, alucinações e amnésia, aumentando potencialmente a crença da vítima de que houve uma transformação e contribuindo para o trabalho de controle e dominação psicológica exercida pelos bokor.
Esse estudo sobre os processos formadores dos Zumbis da vida real nos faz levantar outra reflexão neomitosófica acerca do tema: A relação entre a Desmorte e a Emoção, ou como o estado emocional a nutre, define e troca com a condição desmorta. Decerto, o grande drama dos filmes de zumbi envolve o sacrifício de entes queridos que já não mais respondem a nenhum estímulo emocional. Tornam-se monstros por, além do aspecto mórbido e a voracidade irracional, não sentir emoção alguma.
Em A Noite Mais Densa, saga dos Lanterna Verde publicada atualmente pela DC Comics, há uma relação intrínseca entre os Lanterna Negros (que evocam uma epidemia desmorta de proporções cósmicas) e o uso combativo das emoções empreendido pelos patrulheiros espaciais de diversas tropas, cada qual primando por uma emoção: Lanterna Verde – Força de Vontade; Vermelha – Ira; Amarela – Medo; Azul – Esperança; Violeta – Amor e assim por diante. A partir disso é possível estabelecer uma ligação entre a condição desmorta e o vampirismo psíquico, teoria na qual se supõe que determinadas pessoas são capazes de drenar energia emocional de outras, esvaziando-as, inoculando depressão e apatia por meio de um convívio igualmente nocivo e sedutor.
Dessas reflexões, observamos que há uma fórmula de conivência social subtraindo a vida das pessoas, sem necessariamente exterminá-las. Usurpando de sua energia. Dominando sua vontade. Convencendo-os de que o vagar sem fim, a fome sem fim, a não-vida sem fim é algo desejável. Dessa fórmula, nos parece que subserviência, servidão e obediência são elementos importantes da equação. E afinal, a fome de cérebros pode significar uma patologia exagerada de compensação para um não uso da mente, da reflexão, do exercício da autonomia.
A sociedade pós-moderna nos diz: “Vivam Intensamente! Vivam ao extremo! Vivam para o agora, porque o amanhã reserva apenas velhice e morte em potencial”… e desse hedonismo cego um número cada vez maior de pessoas dilui identidade na individualidade, comunidade na convivência nuclear epidêmica, amor na sexualidade vã e compulsória. Nosso objetivo não é bradar moralismos inquisidores, nem caçar demônios ou condenar o sexo e a paixão. Não iremos apontar para o quanto o vício é demolidor da força de vontade ou retomar que o crack e a heroína transformam pessoas em bonecos, chupando em becos por outra dose, dizendo sim, aceitando toda e qualquer violência. Mas pensemos, nos indaguemos, se eventualmente a ambição por um aumento, por uma promoção não gera esse mesmo tipo de comportamento autômato… Se o desejo de consumo, seja ele em becos, guetos ou shoping centers, não tem o poder de converter alguém no mesmo tipo de besta faminta. Que se esvazia a cada novo banquete.
Afinal, talvez toda essa recente febre de zumbis em filmes, séries, HQs e manifestações públicas não seja uma urgência em convocar as pessoas para priorizar os elementos básicos para sua sobrevivência. Não é isso que pretende Max Brooks? Sensibilizar as pessoas para prepararem-se melhor? Para fortalecerem-se? Talvez o grande antagonista do sobrevivente numa hecatombe desmorta ou de um legítimo caçador de mortos inquietos não seja os mortos-vivos em si, mas o sofá, a internet e o ar condicionado, que transformam o homem moderno num arremedo pálido, flácido e fraco; vergonhoso aos olhos de seus antepassados, esteja ele na cultura que for. A civilização enfraquece. O conforto acelera o apodrecimento e a decomposição.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Caso Cláudia Lessin Rodrigues

Uma dor de dente horrível não deixava o operário Luiz Gonzaga de Oliveira dormir direito na noite de 24 para 25 de julho de 1977. Instalado num barraco da Tecnosolo, firma para a qual trabalhava, na avenida Niemeyer, na altura de um local conhecido por Chapéu dos Pescadores, Rio de Janeiro, ao lado de três colegas, ele foi o único a escutar barulho estranho nas proximidades, fora do barraco, por volta de meia-noite.

Por uma fresta na parede do barraco, vislumbrou uma Brasília estacionada quase em frente, com um homem em seu interior, e outro do lado de fora.

Satisfeito com o que vira, voltou à cama. Mas foi novamente despertado, agora por vozes masculinas. As vozes o atraíram de novo para a fresta. Observou, então, o homem que estava sentado no banco da frente pular para o banco de trás, enquanto o outro parecia tirar alguma coisa de dentro do porta-malas.



Avenida Niemeyer


NÚMEROS NA PEDRA

Depois de algum tempo, período no qual o carro mudou de posição algumas vezes, indo adiante ou para trás, Luiz Gonzaga de Oliveira percebeu os dois homens se afastarem da Brasilia, carregando uma grande mala, até um ponto mais baixo da encosta.

Ele saiu, então, do barraco e se aproximou do carro. Anotou, num muro de pedras, em grandes caracteres, o número da placa da Brasília avermelhada: 5964. As letras ele só memorizou: SX.

Voltou ao barraco. Somente duas horas depois, sempre meio acordado, meio adormecido ouviu a ignição do carro, os estranhos haviam partido.

A cena insólita não saiu de sua cabeça. Quando acordou definitivamente, às quatro e meia da manhã, como de hábito, contou o episódio aos colegas. Propôs que fossem todos até as pedras, verificar o que tinha havido.

Os colegas não se empolgaram com sua proposta. "Deve ser macumba" alegaram. Luiz Gonzaga resolveu fazer uma inspeção por conta própria. Não encontrou, porém, nada de anormal.

Na hora do almoço, um colega de serviço comentou com Luiz Gonzaga:

"Acharam um corpo no Chapéu dos Pescadores."

Ele trabalhou a tarde toda. Ao voltar para casa, no final da tarde, pediu a uma vizinha o telefone da polícia. Ela não tinha. Luiz Gonzaga dirigiu-se ao orelhão. Telefonou para a Rádio Globo.

DA CINTURA PARA CIMA

Conseguiu falar com duas pessoas da rádio, mas somente na terça-feira com o redator-chefe, a quem revelou o segredo dos números anotados nas pedras.

Disse-lhe também que poderia reconhecer ao menos um dos homens da Brasília, pois o vira da cintura para cima.

"Um motorista da rádio" informou o redator-chefe "alertou a polícia sobre aqueles números, mas não foi ouvido."

Com a placa revelada, a polícia descobriu que a Brasília estava registrada em nome da Imobiliária Suíça. O dono da imobiliária era Michel Frank.

Na segunda-feira, Michel pediu que seu amigo Georges Khour o levasse a dois lugares. Ao médico, para tratar das feridas em suas mãos. E ao apartamento dos amigos Carlo e Bernadete Simonelli.
Na visita, Michel contou aos amigos o que tinha ocorrido em seu apartamento no fim de semana e pediu-lhes ajuda. Estava transtornado. Acabou ficando até mais tarde. Dormiu no apartamento. Khour foi embora.

ENCONTRO COM O PAI

Terça-feira, logo de manhã, Carlo Simonelli começou a atender ao pedido de socorro do amigo. Levou-o ao escritório do industrial Egon Frank, pai de Michel. Ao pai, dono da fábrica de relógios Mondaine, Michel contou a seguinte história.

http://www.confrariadojuri.com.br/dicas/claudia01.jpg No sábado à noite, ele estava em seu apartamento, jogando cartas com Georges Khour, quando tocou o telefone. Era Claudia Lessin. Ele a tinha visto, até então, duas vezes, se tanto.

A primeira, em maio, num dos salões do Hotel Meridien, onde se festejava o lançamento do filme Gente Fina É Outra Coisa, produzido pelo pai, Egon. Claudia era namorada do diretor do filme, Pedro Carlos Rovai. E irmã da estrela, Marcia Rodrigues, conhecida como a Garota de Ipanema depois de fazer o papel principal do filme baseado no samba de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

"Nesse dia sequer nos falamos" contou Michel. "Somente três semanas depois fui apresentado a ela, quando veio ao meu apartamento, com Pedro Rovai."

Era outro sábado, muito movimento na casa, e muito pó, como de hábito.

No sábado, 23 de julho, de acordo com o relato de Michel ao pai, testemunhado por Carlo Simonelli, Claudia lhe telefonara perguntando se seu namorado estava por lá. Não estava. Ainda assim, Michel a convidou para vir e " combinado com Georges Khour " sugeriu que ela trouxesse uma amiga.

Claudia tocou a campainha minutos depois, sem a amiga. Linda como sempre, aos 20 anos. Michel e Georges estavam em companhia de Danielle Labelle, na mesa de carteado. O casal Simonelli também estava entre os convivas.




Michel Frank

O EMBALO

Depois de fazer muitas perguntas sobre o jogo, sem participar dele, Claudia alegou que estava se sentindo mal, pois tinha bebido cerveja e vinho em excesso. Michel a acompanhou ao banheiro, onde foi amparada por Bernadete Simonelli.

Recuperada do mal estar, Claudia voltou à sala. "Quero puxar fumo" pediu a Michel. Ele respondeu que não haveria problema, desde que ela fumasse num dos quartos, bem longe dele, que não tolerava o cheiro de fumaça.

"Depois ela voltou à sala pedindo "outras coisas"" Michel contou ao pai.

"Entra no primeiro quarto, que é o meu, e sirva-se à vontade" respondeu Michel.

O jogo na sala, a essa altura, não era mais de cartas, mas de gamão. "Khour resolveu ir ao banheiro" contou Michel ao pai "e, voltando, ao passar pelo meu quarto viu Claudia deitada de lado, totalmente nua."

SEXO A TRÊS

Assim que Daniel Labelle se retirou para o quarto de hóspedes, alegando não ter condições de continuar o jogo, Michel e Georges decidiram fazer uma visita a Claudia.

"Fomos lá com a intenção de fazer sexo" contou Michel, "mas como tínhamos consumido muito pó, não conseguimos ereção."

De repente, continuou Michel, eis que Claudia desaba na cama, com evidentes sinais de overdose: o corpo tremendo, os dentes trincados, a boca totalmente fechada.

"Fizemos de tudo para salvá-la, pois ela provavelmente havia enrolado a língua. Enq uanto Georges tentava reanimá-la aplicando choques elétricos com o fio desencapado da luminária, eu coloquei as mãos dentro da sua boca, para desenrolar sua língua."

O barulho produzido pela operação salvamento acordou Labelle. Atônito, ele deparou-se, da porta do quarto, com uma cena que parecia ser de um ménage à trois. Foi Georges quem o trouxe de volta à realidade:

"Elle est morte" disse ele, em francês.

Georges e Michel pediram ajuda a Labelle, mas ele se apavorou com a situação, vestiu-se e saiu.

O pai de Michel acompanhava o relato com evidente tensão e ansiedade. Mas ainda faltava a parte mais escabrosa.

PENTE-FINO

"Preocupados em nos envolver num processo por drogas, decidimos nos livrar do corpo" contou Michel.
A seguir, passaram um pente-fino no apartamento, tirando todas as drogas possíveis de vista. E, antes que pudessem iniciar o processo de ocultação do cadáver de Claudia, Michel caiu em sono profundo, segundo ele devido à ingestão de comprimidos de mandrix.

Por volta de 1 da tarde de domingo Michel acordou, disposto a resolver o problema imediatamente. Georges, que era pescador nas horas vagas alegou conhecer vários bons locais de onde jogar o corpo ao mar. Michel propôs fazer primeiro uma incursão sem o corpo para descobrir o melhor local.

Georges avisou que seu carro estava com pouca gasolina. O carro de Michel também. Aos domingos os postos não abriam, era a política de racionamento de combustíveis, inaugurada em 1973, quando os produtores árabes triplicaram o preço do barril, para se vingarem da Guerra do Yom Kipur, vencida por Israel.

MALA DE PEDRAS

Foi convocado Moisés, gerente da Imobiliária Suíça. Ele transferiu gasolina de seu carro para a Brasília de Michel. Antes de saírem para dar um rolê, Michel e Georges ligaram o ar condicionado do quarto onde Claudia jazia inerte.

Somente por volta de 10 e meia da noite eles envolveram o corpo de Claudia num lençol e o socaram dentro de uma mala. Não conseguiram, no entanto, levantá-la, razão pela qual chamaram a moça que trabalhava na casa para ajudá-los a carregar, do terceiro andar até o térreo, pela escada e daí até o carro.

O Chapéu dos Pescadores não era seu primeiro objetivo. Acabaram optando por ele depois de se perderem na Rio-Santos, preocupados com a gasolina.

Para terem certeza de que o corpo jogado iria afundar no mar, amarraram-no a uma bolsa de couro marrom, marca Favo, cheia de pedras. E o atiraram de uns 80 metros de altura. O paredão de pedras apresenta uma divisão por platôs. No primeiro platô, o corpo parou. Eles desceram, então, e o atiraram de novo. No entanto, nem dessa vez conseguiram afundá-lo nas águas.
VERDADE OU MENTIRA?

Como todo industrial, Egon Frank confiava desconfiando. Depois de ouvir a história do filho pediu ao sócio minoritário da Mondaine, João Batista que checasse com um médico se era possível acontecer o que Michel contara.

Foi marcada nova reunião para daí a dois dias, quinta-feira.

O encontro desta vez foi no apartamento do diretor da Mondaine, José Milfont, na Praia do Flamengo. Presentes os advogados Evaristo de Moraes Filho e Georges Tavares, o patologista De Paula (convidado por ser amigo de João Batista) e seu amigo Luiz Antonio Pontual Machado.

Para De Paula, a história de Michel era plausível, Claudia realmente poderia ter tido morte acidental por overdose e o ferimento em suas mãos produto de atrito com seus dentes na tentativa de desenrolar a língua. Prometeu, ainda, preparar um parecer que sustentasse a versão do filho de Egon.

Na sexta-feira, depois de tomar conhecimento do laudo cadavérico, Evaristo de Moraes Filho dispensou o relatório do patologista. Segundo o laudo, transmitido pelo diretor do Instituto Médico Legal, Nilson Santana, Claudia fora morta por contusão na cabeça com hemorragia subdural e asfixia provocada por esganadura. A versão de Michel não se sustentava.

O DEPOIMENTO DE MICHEL

Evaristo começou a discutir com Egon a nova estratégia da defesa. Egon queria, no fundo, que o laudo fosse contestado, mas Evaristo não concordava com isso. Acabou sendo afastado. Egon contratou em seu lugar o advogado Wilson Lopes dos Santos, alguém com coragem suficiente para afirmar que o laudo estava errado.

No interrogatório policial, Michel preferiu omitir a cena da overdose:

"Eu estava em meu apartamento, quando recebi um telefonema de Claudia, que procurava por seu namorado, Pedro Rovai. Disse a ela que ele não estava em minha casa e Claudia insistiu para ir até lá."
"Consultei meu amigo Georges Khour, que estava ao meu lado na hora, e pedi para ela vir com uma amiga."

"Desliguei o telefone. Após algum tempo, chegaram Carlo e Bernardete Simonelli, Daniel Labelle e Enrico Grossi. Eu jogava cartas com Georges e Daniel."

"Claudia tocou a campainha sozinha. Abri a porta, ela entrou e sentou-se na sala. Claudia não parava de fazer perguntas sobre o jogo. Carlos e Bernadete também estavam na sala. Em uma certa altura, Claudia passou a sentir-se muito mal por causa da cerveja e do vinho, eu acho. Acompanhei a moça até o banheiro e depois a Bernadete também foi lá, ampará-la. Voltamos para a sala um pouco depois. 

Claudia já estava melhor e veio com a gente também. Ela me pediu para fumar maconha. Como não gosto desse cheiro, disse para que ela o fizesse bem longe de mim. Ela foi."

"Jogávamos na sala quando Claudia apareceu na porta e me pediu outras coisas. Eu falei a ela que fosse até o meu quarto e se servisse à vontade."

"De madrugada, Carlo, Enrico e Bernadete foram embora, ficando apenas eu, Daniel Labelle, Georges Khour e Claudia no meu apartamento. Georges foi até o banheiro e na volta levou Labelle a um dos quartos, porque ele estava com muito sono. Daniel bebeu muito naquele dia também e estava aparentemente acabado. O telefone tocou e era uma amiga de Claudia procurando por ela. Eu a chamei e ela atendeu ao telefonema, marcando de sair com sua amiga. Claudia pegou sua bolsa e disse que precisava ir embora, despediu-se e saiu. Eu e Khour continuamos o jogo e depois fomos dormir."

Quando o Juiz Sumariante do I Tribunal do Júri decretou a prisão preventiva de Michel Frank e de Georges Khour, no dia 6 de setembro, Michel já estava em Zurich.

A ORGIA

Ele fugiu do Brasil de carro, passando pelo Paraguai e depois Buenos Aires, onde embarcou no avião que o levou à Suíça.

No dia 9 de setembro, Michel Frank e Georges Khour foram denunciados pelo promotor em exercício do I Tribunal do Júri, José Carlos da Cruz Ribeiro.

"Em 24 de julho de 1977, em hora não precisada, no interior do apartamento no. 302, da rua Desembargador Alfredo Russel no. 70, no Leblon, os denunciados, unidos pelo mesmo desígnio, desferiram pancadas na cabeça e estrangularam com as mãos Claudia Lessin Rodrigues, causando-lhe lesões. Ditas lesões e mais asfixia mecânica foram a causa suficiente da morte da vítima, como positiva o auto de exame cadavérico.

"Torpe o motivo, desenfreio da lascívia.O fato punível foi cometido através de meio cruel, ou seja, por asfixia mecânica.

"Os denunciados usaram de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, brutalmente seviciada, inclusive com a introdução de objeto em orifício do seu corpo, de tal maneira que não pôde opor resistência aos agressores, que lhe eram superiores física e numericamente.

"Os denunciados, no local supra referido, promoveram, no dia 23 de julho de 1977 uma orgia que se prolongou pela madrugada do outro dia, terminando em hora não precisada, quando serviram aos presentes cocaína e mandrix, sendo o entorpecente, para quem aceitou a oferta, consumido por aspiração nasal, com a utilização de um canudo feito por uma cédula, a qual foi na hora enrolada."

KHOUR DESMENTE MICHEL

No dia 13 de setembro, Georges Khour apresentou-se espontaneamente ao Juiz Sumariante, contestando o depoimento de Michel. Para ele, Claudia não tinha ido embora do apartamento antes de morrer. Ele descreveu assim a cena da sua morte:"que reparou estar Michel com as mãos dentro da boca de Claudia, que havia sangue nas mãos de Michel" que a vítima se contorcia" que tudo ocorreu de forma muito rápida, o depoente começou a fazer massagens no peito da vítima" que quando segurava os braços, o depoente notou que Michel também fazia massagens no peito da vítima" que Daniel a tudo assistiu, da porta do quarto; que o depoente virou-se para Daniel e, em francês, disse-lhe: ela está morta; que Daniel saiu correndo ao mesmo tempo em que Michel caía ao lado da vítima."O corpo de Cláudia foi encontrado nu na manhã do dia 26 de julho de 1977, no rochedo do Chapéu dos Pescadores, na Niemeyer. O rosto completamente desfigurado e o corpo amarrado por arame, preso a uma mala cheia de pedras. Cláudia tinha apenas 21 anos. Não houve mistério mais discutido pela imprensa e pelo Brasil do que a morte de Cláudia Lessin Rodrigues que, numa noite de sábado, se despediu dos pais e foi a uma festa.

Filha de um casal classe média alta, o comandante Hilton e a dona de casa Maria, Cláudia sempre teve tudo: bons princípios e educação esmerada, mas não andava nas melhores fases da vida. Enfrentava uma depressão " não conseguia esquecer um namorado que teve nos Estados Unidos " mas estava sob controle: fazia terapia e tudo mais. Já tinha usado drogas, sim, como a maioria da sua geração, mas não era viciada e, se tinha algum vício, era cultura: adorava música clássica, ler e as sessões de filmes de arte do antigo Cine Veneza. Ela morava com a família, desde criança, na rua Fernando Mendes, esquina com a avenida Atlântica, com uma bela vista para o mar. Criados com amor e em bons colégios.

A ida de Cláudia ao apartamento de Michel Frank até hoje é um mistério, porém, o mais provável é que ela teria sido convidada para uma festa, na qual encontraria Rovai. Ele não foi, e quando Cláudia chegou, a festa era de "função" ou, melhor dizendo, de "cheiração".

Segundo o livro de Valério Meinel, Cláudia teria passado o fim de semana com os dois homens, que jogavam cartas, cheiravam cocaína, vendida por Michel aos amigos que chegavam, sem parar. Muito entra-e-sai entre uma cartada e outra. Cláudia teria ficado lá "de bobeira", como dizem os cariocas quando não estão fazendo nada. Em compensação, Michel "comia como farinha", como dizem no meio os que cheiram muito. Cheirava desde os 16 anos.

Foi o detetive Jamil Warwar que, 48 horas depois do crime, já havia descoberto tudo, e, em uma declaração publicada em 1986, afirma: "Houve um embalo de tóxico na casa de Frank. No dia seguinte, Frank e Kour, cheios de cocaína, caminhavam em cima da mureta da avenida Niemeyer e resolveram então estuprá-la ali mesmo. Ela resistiu, ameaçou denunciar o que vira no apartamento no dia anterior (Michel vendendo bastante pó)". O ex-gordinho, que na adolescência não pegava nem gripe por causa da aparência, agora se firmara como um "grande" homem aspirando pó.

Segundo o que foi presumido pelo detetive Warwar, os dois, após violentá-la na própria Niemeyer, a mataram. Quando tentaram dar sumiço ao corpo, amarrado com uma mala cheia de pedras, foram vistos por um operário chamado Índio, que esclareceu o caso, como consta na revista Manchete, em reportagem publicada em 20 de dezembro de 1986.

Os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de acordo com a mesma revista, são taxativos: afirmam que Cláudia foi morta no local, pois havia sangue sobre as pedras. Declaram também que ela morreu por asfixia mecânica " viam-se claramente as marcas dos dedos, a olho nu, em seu pescoço. O exame toxicológico mostrava que não havia usado cocaína nem qualquer outra droga.

O poder e as relações do pai de Frank falaram mais alto a ponto de Warwar ser afastado das investigações por meio de uma decisão publicada no boletim de Segurança Pública. O detetive ligou para o pai de Cláudia, dizendo: "O negócio envolve gente da alta, com muito dinheiro. O delegado Hélber Murtinho já deu a entender que vou ser substituído, mas não tem problema não. Já sei de tudo, quem matou sua filha e onde ela foi morta".

"Quero viver além dos 90 anos para ver os assassinos da minha filha condenados", declarou o pai.
Frank, que tinha nacionalidade suíço-brasileira, foi para Zurique e lá viveu por 12 anos. Porém, levou junto o vício. Cheirava sem parar, chegando ao extremo de alguns familiares cortarem relações com ele.
"Foi justamente a falta de relações do meu pai com o poder " ele era apenas um piloto da aviação civil " que impediu que a Justiça fosse feita. Fosse meu pai um militar naquela época de ditadura, teríamos visto certamente a condenação dos assassinos. O que vimos, ao contrário, foi o poder do dinheiro e o regime de exceção facilitando a fuga anunciada de Michel Frank e a posterior absolvição dele num julgamento fraudulento, de fachada", afirma Márcia Rodrigues.

A imprensa não sossegou com o fato e os pais de Cláudia Lessin sempre abriram as portas a ela, pois Cláudia caiu numa grande roubada, que acabou servindo de exemplo para muitos pais desavisados.
Na Suíça, Frank acabou inocentado do assassinato de Cláudia por falta de provas consistentes da Justiça brasileira. Em 1989, ele foi encontrado morto, com seis tiros na cabeça, na garagem de seu prédio em Zurique. Seu corpo estava entre uma máquina de lavar e outra de secar. Estava envolvido com drogas até o último fio de cabelo. E por falar em cabelo, a última notícia que se teve de Georges Kour é que ele abriu um salão em Niterói.

Ele, que em 1977 era cheio de estilo, envelheceu mais de 30 anos em três atrás das grades. Foi considerado culpado pela tentativa de ocultação de cadáver. Até os descolados da bucólica Niterói desconhecem o seu salão.

Atualmente, os pais de Cláudia moram próximos à filha Márcia, que abandonou a carreira e hoje é uma das mais respeitadas designers de interiores do Rio. Ambos estão com mais de 90 anos. Já o detetive Jamil Warwar, um dos melhores do Rio, se desiludiu com a profissão e a largou.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Buracos Negros







A Maior estrela do Universo conhecido




VY Canis Majoris (VY CMa) é uma estrela vermelha hipergigante localizada na constelação de Canis Major. Entre 1800-2100 raios solares aprox. (2.505.600.000 de 2923200000 km de diâmetro), é a maior estrela conhecida e também uma das mais luminosas. Ela está localizado a cerca de 1,5 kiloparsecs (km 4,6 × 1016) ou cerca de 4.900 anos-luz da Terra. Ao contrário da maioria das estrelas hipergigantes, que ocorrem em ambos os sistemas estelares binários ou múltiplos, VY CMa é uma única estrela. É classificada como uma variável semi-regular e tem um período estimado de 2.000 dias.
O primeiro registro conhecido de VY Canis Majoris é no catálogo de estrelas de Jérôme Lalande, em 7 de março de 1801. O catálogo listado VY CMa como uma estrela de magnitude 7. Novos estudos sobre a sua magnitude aparente durante o século 19 revelou que a estrela vem diminuindo desde 1850.
Desde 1847, VY CMa tem sido conhecido para ser uma estrela vermelha. Durante o século 19, observadores mediram pelo menos seis componentes discretos para VY CMa, sugerindo a possibilidade de que ele é uma estrela múltipla. Estes componentes discretos são conhecidos como áreas brilhantes na nebulosa circundante. Observações visuais em 1957 e imagem de alta resolução em 1998 mostrou que a VY CMa não tem uma estrela companheira.
VY CMa é uma estrela de alta luminosidade M com uma temperatura efetiva de cerca de 3.000 K, colocando-a no canto superior direito do diagrama de Hertzsprung-Russell e sugerindo que ele é uma estrela evoluída. Durante a seqüência principal, que teria sido uma estrela O com uma massa de cerca de 30 a 40 massas solares.



Medindo a Distância
Distâncias Estrelares podem ser calculadas medindo a paralaxe como a Terra orbita em torno do Sol. No entanto, VY CMa tem uma paralaxe minúscula com uma alta margem de erro, o que torna pouco confiável para calcular a distância usando esse método.
Em 1976, Charles J. Lada e Mark J. Reid publicou a descoberta de uma brilhante nuvem molecular de aros de 15 minutos de arco a leste de VY CMa. Na ponta da nuvem de fronteira com o aro brilhante, uma queda abrupta das emissões de CO e um aumento no brilho da emissão 12CO foram observados, indicando a possível destruição de material molecular e aquecimento reforço para a nuvem na interface de borda, respectivamente. Lada e Reid assumiram a distância da nuvem molecular é aproximadamente igual ao das estrelas, que são membros do aglomerado aberto NGC 2362, que ionizam o aro. NGC 2362 tem uma distância de 1,5 ± 0,5 kiloparsecs determinado a partir de sua cor diagrama de magnitude.
VY CMa é projetada na ponta da borda, sugerindo sua associação com a nuvem molecular. Além disso, a velocidade da nuvem molecular é muito parecida com a velocidade da estrela. Isto indica ainda a associação da estrela com a nuvem molecular e, conseqüentemente, com a NGC 2362, o que significa VY CMa também está a uma distância de 1,5 KPC.
Tamanho
VY Canis Majoris é a maior estrela conhecida. A professora Roberta M. Humphreys da Univarsidade de Minnesota estima que o raio de VY CMa a 1.800 à 2.100 raios solares. Para ilustrar, se o Sol fosse substituído pela VY Canis Majoris, o raio pode estender para além da órbita de Saturno (cerca de 9 AU ). Supondo que o limite de tamanho superior a 2100 raios solares, a luz levaria mais de 8 horas de viagem em torno da circunferência da estrela, comparado a 14,5 segundos para o sol. Levaria mais de 7.000.000.000.000.000 (7 × 1015 ou 7 quatrilhões) Terras para preencher o volume de VY Canis Majoris.
Se a Terra fosse representada por uma esfera de um centímetro de diâmetro, o Sol estaria representado por uma esfera com um diâmetro de 109 centímetros, a uma distância de 117 metros. Nessas escalas, VY Canis Majoris teria um diâmetro de aproximadamente 2,3 km, assumindo que a estimativa de limite de seu raio.
Luminosidade 
Em 2006, Humphreys usou a distribuição espectral da energia e da distância de VY CMa para calcular a sualuminosidade. Como a maior parte da radiação proveniente da estrela é reprocessado pela poeira em torno da nuvem, ela integrou os fluxos total sobre a nebulosa inteira e mostrou que VY CMa tem uma luminosidade de 4,3 × 105 na escala de Luminosidade Solar.
Controvérsia
Existem duas opiniões diferentes sobre as propriedades de VY CMa. Em uma, a estrela é uma grande e luminosa hipergigante vermelha. Em outras opiniões (como Massey, Levesque e o estudo de Plez), a estrela é uma supergigante vermelha normal, com um raio de cerca de 600 raios solares. Neste caso, sua superfície se estenderia bem além da órbita de Marte em relação ao nosso sistema solar.
Tal como o seu tamanho, a luminosidade de VY CMa é também o tema de dúvida. A professora Humphreys contesta que a fotometria visual não é o suficiente para as estrelas com poeira estrelar suficiente para reprocessar os fluxos visual e vermelho para o infravermelho termal.