segunda-feira, 23 de maio de 2011

Professora mostra a realidade na educação

Um dos assuntos mais comentados durante a semana não apenas nessa, mas também em outras redes sociais, foi o discurso da Professora Amanda Gurgel diante de deputados e da secretária de educação do Rio Grande do Norte. Seu discurso representa bem a realidade da maioria dos profissionais da educação no país.



A primeiríssima coisa é colocar a educação como prioridade de governo, em suas três instâncias (municipal, estadual e federal). Todos os ministérios e secretarias devem estar conectados com os projetos de educação. Deve-se estabelecer um padrão mínimo de qualidade a ser seguido e fiscalizado em todas as cidades do Brasil. Tomo como exemplo o que o Senador Cristóvam Buarque disse certa vez. Ele foi à cidade mais pobre do Brasil - não me lembro qual - e lá visitou um Banco do Brasil. Mostrou como, mesmo numa cidade pequena e pobre, o Banco do Brasil - que pertence à União, diga-se - consegue manter um padrão mínimo de qualidade. Se isso é possível para uma agência bancária, também deveria sê-lo para as escolas, onde quer que seja.

Um bom passo foi dado com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, onde se estabeleceu que para lecionar todo professor deveria ter ensino superior. Isso é o básico. Mas infelizmente, com a proliferação de instituições de ensino à distância, com aulas de poucas horas semanais, sem contato com bibliotecas e o ambiente acadêmico, tem-se perdido muito. E os principais cursos dessas instituições EaD são justamente as licenciaturas.

Então, é necessário que o professor tenha uma boa formação acadêmica, de qualidade. Como disse Pedro Demo, só se educa pela pesquisa. Então os professores deveriam ser não apenas reprodutores, mas produtores do conhecimento, através da pesquisa. Para isso, entretanto, ele deveria ser incentivado a constantemente se aperfeiçoar, através de cursos e programas de pós-graduação. Infelizmente, no meu estado, o governador Jaques Wagner cortou temporariamente o incentivo à pós-graduação.

Então, resumindo: a escola tem de ser um ambiente agradável e convidativo. Infra-estrutura básica, salas iluminadas e arejadas, acesso a biblioteca e internet, professores bem-pagos e bem preparados. O professor tem de ser bem pago para se dedicar a poucas turmas. Com centenas de alunos, fica difícil dar uma atenção individualizada. Com salário baixo, o professor vai tentar trabalhar em três escolas diferentes. Mas se ele for bem pago e assumir o compromisso de ficar com poucas turmas, com horário suficiente para preparar as aulas, executá-las e depois corrigir o que foi produzido, ele poderá acompanhar mais de perto os alunos.

Sem contar que a participação ativa dos pais é fundamental. Nas reuniões que fazemos com pais e mestres, geralmente apenas os pais dos alunos que conseguem aprender bem é que comparecem. Por quê? Porque eles são presentes em casa, e são também presentes na escola. Famílias com lares em crise não dão atenção aos filhos, nem como eles vão na escola. Então, é preciso que também os pais sejam reeducados.

Sou a favor de escola em tempo integral para crianças e adolescentes. Atividades esportivas e cursos profissionalizantes poderiam ser oferecidos em turno oposto, bem como acompanhamento mais individualizado para os alunos com dificuldades de aprendizagem. Reforço escolar.

Então, em resumo: educação como prioridade de governo, com uma porcentagem maior dos impostos destinados exclusivamente a isso; profissionais da educação bem-preparados e bem-pagos, para atenderem a poucas turmas e acompanharem mais de perto os alunos; infra-estrutura de qualidade; presença e acompanhamento dos pais no processo de aprendizagem dos filhos; educação em tempo integral; acompanhamento psicológico para pais, professores e alunos; cobrança coletiva da comunidade por resultados, não apenas em números, mas em qualidade.

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