domingo, 22 de maio de 2011

Caso Carlinhos








Há 32 anos ocorreu um dos desaparecimentos mais intrigantes do país, o do menino Carlinhos. A investigação do caso gerou muitas hipóteses, inúmeros suspeitos e chegou a levar à prisão os pais da criança. Mas até hoje ninguém foi punido e não se sabe o que, de fato, aconteceu com Calinhos na noite do dia 2 de agosto de 1973. Para o jornalista Celso Serqueira, que trabalhava no Jornal O Globo na época e fez parte da primeira equipe de reportagem a chegar ao local do seqüestro, a pessoa responsável pelo desaparecimento de Carlinhos é a própria mãe.
Na época, o Brasil estava em plena ditadura militar e vários órgãos de segurança estiveram envolvidos nas investigações. Serqueira conta que teve acesso a uma investigação paralela desenvolvida por um desses órgãos. O relatório fazia revelações sobre a mãe de Carlinhos, Maria da Conceição Ramires da Costa.
Segundo o relatório, havia cerca de dois anos que Maria não tinha boas relações com o marido, João Melo.  Os principais obstáculos para a separação seriam os sete filhos e a falta de dinheiro. Ela tornou-se amante de um pai de santo e pretendiam viver juntos. Planejaram então o seqüestro de Carlinhos para viver com eles e ao mesmo tempo tentariam pegar um dinheiro de João. Conceição tinha verdadeira paixão pelo filho e ignorava as outras crianças.
Durante todo o processo, Maria tentou incriminar João. A maior parte de seus depoimentos sobre o marido e o funcionário Silvio Azevedo, que foi preso acusado de ser o seqüestrador e de ter invadido a casa, foram desmentidos. Chegou a ficar detida por dois dias clandestinamente e pressionada a confessar sua participação no seqüestro, o que não foi conseguido porque ela teria apresentado problemas psicológicos.
Em função do grande envolvimento da mídia no caso, o seqüestro não saiu como planejado. A polícia começava a chegar perto dos culpados. O pai de santo desistiu do seqüestro e fugiu para o Maranhão, onde foi morto em novembro de 1973.
O jornalista conta que chegou ao local depois de ouvir uma transmissão da Central de Polícia sobre o seqüestro. A família morava na Rua Alice, Zona Sul do Rio de Janeiro. A equipe de reportagem encontrou João no meio da rua desesperado gritando por ajuda. Na casa, segundo Serqueira, a família estava tranqüila assistindo televisão. ”A mãe se comportava como se nada tivesse acontecido, só duas das crianças pareciam estar assustadas”, diz.
Maria e as crianças disseram que um rapaz negro, com blusa vermelha e cabelo tipo black power invadiu a casa. Trancou toda a família no banheiro e levou Carlinhos, de apenas dez anos. Na noite do desaparecimento, João havia saído com dois de seus filhos e Maria ficou em casa assistindo televisão com o restante da família.
O seqüestrador deixou um bilhete pedindo um regate no valor de quase R$ 50 mil reais hoje, que João entregou à polícia. Policiais e jornalistas ajudaram na busca por Carlinhos nos arredores da residência, mas em vão. João contou que chegou em casa minutos depois da saída do seqüestrador. Depois de saber o que havia acontecido, viu na rua um táxi partindo e um homem entrando no mato e tentou perseguir o homem.
O fotógrafo do jornal reproduziu um retrato de Carlinhos que estava pendurado na parede da sala. Um dos fatos curiosos é que a equipe do jornal negociou com o policial uma cópia da foto, desde que permitisse fotografar o bilhete do resgate. “Foi uma atitude que tomei e que me arrependo até hoje”, revela Serqueira.
Ao contrário do que combinara com o policial, o jornal estampou parte do bilhete na edição daquela madrugada. Conclusão: todos sabiam onde e que horas seria feita à entrega do dinheiro para o resgate. Policiais, jornalistas e curiosos compareceram ao local combinado, menos os seqüestradores. “Meu acordo tinha sido publicar o bilhete somente após o pagamento do resgate, trato que foi solenemente descumprido pelo O Globo”, acrescenta Serqueira.
Segundo o jornalista, Maria da Conceição tinha comportamento estranho e demonstrava perturbação mental. “Nos muitos plantões que dezenas de repórteres e eu demos em frente da casa, ela costumava aparecer cantando ou penteando os cabelos na janela, de camisola. Resumindo, ela adorava aparecer. Ela sorria para as câmeras e falava como se fosse artista de cinema”.
Serqueira supõe que Carlinhos teria sido morto pelo pai de santo antes da fuga para o Maranhão e acredita que Maria jamais concordaria com o assassinato do filho. “Ela tinha fixação pelo menino. Creio que só veio a se convencer da morte dele, caso tenha se convencido, alguns anos depois”, diz.
Familiares, funcionários e vizinhos e o próprio João Melo foram investigados e até presos. Para o jornalista, esse é um dos maiores casos de injustiça já feitos pela polícia e principalmente pela imprensa. “A vida de João acabou, nunca se provou nada contra ele e ficou tudo por isso mesmo. Esse caso me faz lembrar o que aconteceu com a Escola Base, em São Paulo”, finaliza.


Fonte:  http://www.serqueira.com.br/caso/index.html


13 comentários:

  1. Para mim o Carlinhos morreu a muito tempo, na época do sequestro a mãe dele era amante do pai de santo e teve culpa no cartório.

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  2. Era o dia do meu aniversário de 14 anos...Eu morava na Rua Senador Pedro Velho perto da escada que dava na Rua Alice.Soube na hora em que estava acontecendo o fato da policia estar lá, a imprensa-até hoje procuro saber noticias daquele menino-o Carlinhos da Rua Alice.Eu também acredito que ele tenha morrido.Desde da época do crime, fala-se que a mãe estava envolvida.Esta versão é desde o começo!E o tal do coronel que é mencionado como sendo namorado da ma~e do Carlinhos? foi alguma vez ouvido???

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  3. sem duvida, e a estoria mis mau contada que ja vi,mas o que me chama a atençao e que a policia queria se aparecer demais.

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  4. Se essa vagaba for viva ainda, deve ser presa e cumprir a pena por todos esse anos de trabalho que causou à nossa mente, que sempre chorou e implorou por esse crime. Essa mãe realmente se tiver culpa, na minha opinião, foi e será a mais cruel assassina já conhecida no Brasil e no mundo.

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  5. Um dos casos mais intrigantes da historia policial brasileira.pelo que li tudo leva a crer que a mae do CArlinhos estava mesmo envolvido com o sequestro.que bizarro.valeu pelo post.MArcos.PUnch.

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  6. LENDO TODAS AS HISTÓRIAS, CHEGUEI A UMA CONCLUSÃO, O CARLINHOS FOI MORTO EM UM RITUAL, SENDO QUE SUA MÃE SABIA . ELA ESTAVA COMPLETAMENTE APAIXONADA PELO PAI DE SANTO, QUE A INDUZIU E A CONVENCEU QUE MESMO COM A PERDA NO FUTURO SERIA COMPENSADA.

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  7. essa historia me assustava eu tinha so 9 anos e ficava com medo de ir a aula foi muito triste ate hoje me pergunto onde foi parar aquela criança

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  8. Ao meu ver o pai planejou o sequestro. A mãe não sabia. E esse menino está vivo no anonimato para não complicar a vida do pai. O Carlinhos está longe daqui

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  9. Prezados leitores, boa tarde..

    Sou Carlos Henrique Pontes, autor de novo livro sobre o Caso Carlinhos (Carlos Ramires da Costa, sequestrado em 1973).

    Conheçam detalhes de nosso projeto, por gentileza;

    http://www.bookstart.com.br/casocarlinhos

    Atenciosamente e muito obrigado,

    Carlos

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  10. Quer receber os 2 primeiros capítulos do livro, e entender como um candidato a Carlinhos começa a recuperar sua memória?
    Mande um e-mail aos autores: casocarlinhosolivro@gmail.com

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  11. Meu é Moises Menezes na época do sequestro tinha 9 anos , tenho a sensação que Carlinhos ainda estar vivo sinto isto

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  12. Tudo o que li leva a acreditar na hipótese de que foi o pai quem planejou o sequestro. Essa teoria de que a mãe é culpada é defendida apenas pelo primeiro repórter que chegou ao local do crime. E sendo sincero que atitude mais ignorante em publicar o bilhete. Já vi em alguns posts pessoas que conheciam Conceição (mãe do Carlinhos) e a descreviam como uma pessoa ignorante e fofoqueira, já o pai foi apontado como culpado porque passava por dificuldade financeiras e no dia do sequestro a filha maior que estava em casa reconheceu o funcionário Silvio como o sequestrador. Qualquer dessas hipóteses seriam terríveis, mas uma coisa é inegável o sequestrador conhecia a família e frequentava a casa, pois sabia onde estava a caixa de luz que ficava escondida atrás do muro, sabia que a família estaria sozinha (só a mãe e as crianças) naquele horário, conhecia o trajeto a ponto de não esbarrar em móveis no escuro, se preocupou em esconder o rosto mesmo sem luz no local, os três cachorros não latiram para um estranho e o principal: A casa era muito simples e suja qual o sequestrador em sua sã consciência agiria num lugar desses???? Não faz sentido. Certamente foi alguém da família o próximo dela e como o caso teve uma comoção nacional que não era esperada, acho que lamentavelmente o Carlinhos tenha sido assassinado por queima de arquivo. No programa linha direta justiça uma vidente convidada chegou a dizer que foi alguém da família e a vitima foi morta com um tiro na cabeça e carbonizada num local alto.

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  13. esse garoto não existe mais, com certeza virou queima de arquivo, a policia daquele tempo não tinha capacidade, e nem recurso, pra desvendar esse caso, eu acredito que se foçe nos dias de hoje, com certeza os criminosos estariam presos, agora de uma coisa eu tenho certeza o sequestrador era muito familiar, pois só um conhecido muito intimo teria exito num sequestro como este.

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