segunda-feira, 16 de maio de 2011

Agnosticismo - O que é?

Agnosticismo se refere às bases filosóficas que foram assentadas no século XVIII por Immanuel Kant e David Hume, mas que só no século XIX teriam um termo formulado. Seu autor foi o biólogo britânico Thomas Henry Huxley numa reunião da Sociedade Metafísica, em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida.
 Agnosticismo derivou-se da palavra grega agnostos, formada com o prefixo de privação (ou de negação) a- anteposto a gnostos (conhecimento).
Alguém que admita ser impossível ter o conhecimento objetivo sobre a questão — portanto agnóstico — pode com base nisso não ver motivos para crer em qualquer deus (ateísmo fraco), ou pode, apesar disso, ainda crer em algum deus por fé ( fideísmo). Nesse caso pode ser ainda um teísta, caso acredite em conceitos sobrenaturais como propostos por alguma religião ou revelação, ou um deísta, caso acredite na existência de algo consideravelmente mais vago.


distribuição de ateísmo e agnósticos por países em %

fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnosticismo

agnosticismo
Por João Laurindo de Souza Netto

Nada contribui mais para a cristalização de falsos estereótipos que as definições por “negação”, nas quais o valor conotativo das palavras torna-se emprobrecido, quando não desfigurado.
O caso do termo agnóstico é singularmente demonstrativo. Costuma-se reduzir seu sentido ao de uma simples negação: é agnóstico quem não crê, isto é, quem não professa fé religiosa alguma.
Esta definição “por negação” equivale a um radical desentendimento do que deve denotar a palavra agnosticismo, pois, desta forma, ela fica expropriada de sua vertente semântica positiva e, portanto, torna-se inutilizável para o seu uso filosófico no mundo atual.
O “não” do agnóstico não é uma simples negação, um mero “não” referencial, mas, ao contrário, é uma posição dialética de conteúdos definidos, que se processam no marco de um processo histórico-cultural determinado. Este processo remete a um campo semântico que proporciona um rico tecido de convicções filosóficas, éticas, sociais e políticas, de contornos precisos e racionalmente analisáveis.
O reducionismo semântico que se gera mediante a aparente inocência do simples advérbio de negação, tende a arrojar o agnóstico à situação de quem “não tem”, frente à de quem “tem” _ que seria o homem religioso. Cairíamos assim em um perigoso equívoco dentro da prática social, pois “ter” define um paradigma frente ao “não ter”, em termos religioso-sociais.
Porém o agnóstico ostenta na realidade um “ter”, pois possui uma bem formada concepção do mundo e do homem, ou seja, uma cosmovisão específica. O mundo, para o agnóstico, é assumido como “finitude”, o que revela o conteúdo “positivo” da concepção agnóstica, a qual apresenta um “humanismo radical” que leva a sério a si mesmo, furtando-se, por definição, a toda fuga para uma confortável transcendência.
A cosmovisão do agnóstico implica em uma moral assentada fortemente na afirmação universal da finitude como nota fundamental da realidade. Deste modo, o agnóstico é tudo menos um ser empobrecido. É a fuga do mundo para um “transmundo” desconhecido, e só enunciável em abstrato, o que mutila e empobrece o ser humano.
O agnóstico, enriquecido com todo o sedimento de contribuições da história universal, encontra, com o refinamento intelectual que exige sua cosmovisão, seu imperativo prático na “presença”, isto é, em “fazer-se presente” na análise crítica e autônoma do cotidiano em todos os níveis da finitude.
E é na abrangência social, cultural, política, econômica e histórico-religiosa destes níveis da finitude, que o agnóstico postula sua visão racional, propondo um código de valores que lhe é próprio, nunca como mera “negação”, porém sempre como clara “afirmação”.



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